Não consegui parar o tempo, ele passou. Acontece, meu bem. Fadiga, pontada, ruga, azia. Lembrança, saudade, mania. Por dentro, apodrece. Por fora aparece, é vida. Envelhece porque cresce. Um pouco, todo dia.
Reuniram-se logo na primeira noite promissora do outono e tomaram vinho até o amanhecer. Passado o breve intenso azul, brindaram a tudo, porque tudo refletia o dourado do Sol. A primeira luz depois de uma noite de chuva e frio é especial, já dizia o professor de fotografia. Abafa os ecos, preenche as sombras, aquece os sonhos.
Acordou confuso. O que via em sua frente parecia uma pia com torneiras. Abriu. Saíram números, como se fossem opções. E ficou espantado porque percebeu que, de repente, estava no futuro. Mas logo apagou e acordou novamente, e acordou mesmo, dessa vez na poltrona de casa. O velho olhou trêmulo ao redor, em êxtase. Seu gato escutaria tudo sem contestar, mas como convencer a maldita enfermeira doméstica de tal aventura única no futuro?