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Vai sobrar tempo

Isso na sua boca, incomoda? Não. E isso aqui? Cresce? Cresce. Devagar, mas cresce. E daí? Daí tem que cortar. Incomoda? Não, nem sente. Como chama? Unha. Unha... Isso. E esse dentro da boca é dente. Dente? Mas dente não é aquilo que... Aquilo é pente. O som é parecido. O pente cresce? Não. Pente não é gente, é outra coisa. Que tipo de coisa? O pente não tem corpo nem sangue. Não tem vida. A gente nasce, cresce e morre - isso é vida. E como é que morre? Uma hora o corpo e tudo o que tem dentro dele para de funcionar. Cada corpo dura um tempo, o tempo é que mata. Quanto tempo o seu ainda vai durar? Uns 30 anos, eu espero. E depois que morre, o que acontece com o corpo? O corpo é enterrado. E na terra ele se desmancha em pedaços menores, que se espalham e se misturam com outras coisas menores, formando novas coisas, como as plantas. Daí as outras pessoas, que ainda não morreram, colocam essas plantas na boca, desmancham em partes menores....

Precisamos de mais apagões.

Esse depoimento cresce a medida que se permite enxergar além. Além do que vemos, do que sentimos. Mas nada além do que já está na nossa frente. Precisamos de mais apagões. http://vimeo.com/52933219

Trovão em nuvens pretas

Quando tudo está calmo e assopra o vento. Quando o silêncio faz barulho, som de porta e folha seca. Cercados de nuvens pretas. Se até então não era nada, agora é hora de fechar o tempo.

Salas vazias

Gata solitária fala com BEBADO DA BALADAA!! [24/04 04h43]:     oi, tudo bem?   

Passou a meia-noite

Não consegui parar o tempo, ele passou. Acontece, meu bem. Fadiga, pontada, ruga, azia. Lembrança, saudade, mania. Por dentro, apodrece. Por fora aparece, é vida. Envelhece porque cresce. Um pouco, todo dia.