Roteiro de carro
na Croácia (13 dias)
Foi a segunda viagem pra Europa. Visitamos Praga, Viena, Budapeste e depois passamos 13 dias na
Croácia e 3 dias na Eslovênia.
Dividimos a viagem em dois climas: o primeiro (Praga,
Viena e Budapeste) foi mais urbano e programado: guia e mapa na mão, check list
de pontos turísticos, compras e balada, acordar cedo e dormir tarde; e o segundo (Croácia e Eslovênia) foi mais intuitivo: alugamos
um carro, descobrimos a programação local conforme chegávamos nas
cidades e reservamos alguns dias pra dormir até tarde sem culpa.
Acho que a Croácia e o tempo em que ficamos lá foram ótimos
pra esse segundo clima, especialmente porque fomos na época certa (19-31 de maio de 2012): o tempo já estava morno, mas ainda não era alta temporada (começa em
junho), quando as estradas ficam congestionadas de jovens europeus em busca de uma
Ibiza mais barata.
Croácia (não na
alta temporada) pra quê?
1. Pra descobrir uma região tão antiga, mas tão menos
comentada quanto a Grécia ou a Itália, em uma paisagem única, recortada por praias
de pedras brancas e água azul escura em cidadezinhas portuárias bem pitorescas
que ligam o continente às mais de mil ilhas existentes.
2. Pra sentir o clima sereno e curioso de um país
praticamente novo, que saiu de uma guerra que começou em 1102, quando nobres
croatas entregaram a coroa pra Hungria, e que terminou só em 1998, quando o
governo croata finalmente retomou todo o seu território do Exército Popular
Iugoslavo, que desde a queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da União
Soviética (1991) ainda lutava contra a independência da Croácia da antiga
República Socialista da Iugoslávia. Nesse vídeo você vê a primeira cidade do
nosso roteiro sendo bombardeada em 1991: http://www.youtube.com/watch?v=fqso_4OCcMk
3. Pra fugir um pouco das semelhanças entre as grandes
cidades europeias e das grandes redes de lojas e fast foods que existem em
todas elas.
Como chegar na
Croácia?
Queríamos percorrer a Croácia no sentido sul-norte
(porque nosso último destino seria a Eslovênia, que fica no norte), então pegamos
um voo da Lufthansa por R$ 500 que saiu às 11h de Budapeste, fez escala em
Frankfurt e chegou às 17h em Dubrovnik. Não foi barato, mas por outro lado já
havíamos economizado nos trechos Praga-Viena (ônibus, 5 horas:
www.studentagency.eu) e Viena-Budapeste (trem, 2 horas: www.oebb.at).
Existem mais opções de voos na alta temporada, em
especial pelas companhias low cost Vueling e German Wings. Se você quiser começar pelo norte, é possível ir de Budapeste pra Zagreb (capital da Croácia)
de trem de (6h30 aprox., www.raileurope.com.br). Se você estiver na Itália, dá
pra pegar um ferry noturno em Veneza, Ancona ou Bari e acordar em Zadar, Split
ou Dubrovnik – os ferrys são bem comuns e bem aproveitados pelos turistas
europeus (www.directferries.co.uk).
Como se locomover
na Croácia?
Peça a sua
Permissão Internacional para Dirigir – PID (é a carteira de motorista
internacional aceita em vários países, incluindo a Croácia; é só entrar no site
do Detran, pagar um boleto e receber em casa) e alugue um carro com GPS
(www.autoeurope.com), com certeza! As estradas são boas e bem sinalizadas e, em
maio, o trânsito flui normalmente.
Chegamos de avião em Dubrovnik – é um aeroporto bem
pequeno e tem um ônibus regular que leva os passageiros até a entrada principal
do centro histórico (Pile Gate). Pegamos o carro apenas no nosso último dia em
Dubrovnik e o devolvemos quando chegamos em Zagreb, última cidade croata que
visitamos. De lá, fomos para Liubliana (capital da Eslovênia) de trem.
Onde ficar na
Croácia (13 dias)?
DUBROVNIK: 3 (ou
2) dias
Fotos em: https://www.facebook.com/rodolfovencato/media_set?set=a.10151173002762764.474300.661027763&type=3
Onde se hospedar?
Ficamos em um hostel ok (Old Town Hostel) na melhor
localização possível: dentro do centro histórico fortificado. Existem hotéis maiores logo do
lado de fora dos muros (como o Hilton, onde retiramos o carro alugado) e existem resorts
mais afastados do centro histórico, na parte moderna da cidade.
O que fazer?
Estar na cidade histórica é o passeio principal, mas vale
subir nos muros fortificados que a cercam (entrada paga), fazer o passeio de
caiaque ao redor da ilha Lokrum (reserva com uma manhã de antecedência) e, se
sobrar um tempo, passar o fim de tarde e jantar na Setaliste Kralja Zvonimira,
que é um calçadão bonitinho que fica na parte moderna da cidade (dá pra ir de
ônibus).
HVAR (incluindo
VIS e STARI GRAD): 3 dias
Fotos em: https://www.facebook.com/rodolfovencato/media_set?set=a.10151279337362764.493262.661027763&type=3
Como chegar?
Saímos de carro de Dubrovnik, embarcamos em um car ferry (www.jadrolinija.hr)
em Drvenik e chegamos em Sucuraj (cidade na ilha de Hvar), de onde seguimos por
uma estrada até Hvar (principal cidade da ilha de Hvar). É bom saber:
- No meio do caminho entre Dubrovnik e Drvenik a estrada
atravessa um pequeno trecho que pertence à Bósnia – teoricamente é preciso de
visto pra entrar na Bósnia, mas nesse trecho os policiais reconhecem os turistas
de passagem e pedem apenas o passaporte.
- A passagem de car ferry deve ser comprada na hora, por
isso é importante chegar no terminal com meia a uma hora de antecedência
(tabela de horários de embarque em www.jadrolinija.hr). Dizem que na alta
temporada é preciso chegar com até 3 horas de antecedência. Esse trecho dura
meia hora.
- Apesar da estrada de Sucuraj para a cidade de Hvar ser
pavimentada e sinalizada, alguns trechos com estreitamento de pista próximo a
penhascos exigem atenção redobrada (rs), mas um motorista que já tenho dirijido em alguma estradinha de interior alguma vez na vida e um carro 1.6 dão conta do
recado. A dica é deixar os motoristas mais nervosos passarem na frente pra observar com calma as aldeias de pedra
despovoadas que surgem no meio do caminho e sentir o cheiro de lavanda (eu senti!). Esse trecho dura 1h30.
Onde se hospedar?
Ficamos em um hostel muito acolhedor (Youth Hostel Villa
Marija) num bairro bem residencial e um pouquinho longe da marina, que é a área
mais movimentada e turística.
O que fazer?
Fora da alta temporada, Havar é uma cidade pacata.
Vale tirar um dia para fazer um passeio de barco (reserva
e pagamento com antecedência, 6-8h de duração, www.mthvar.com/speed-boat-tours/vis-island-komiza.html
) que inclui uma visita inesquecível na Blue Cave, na ilha de Bisevo, e uma
parada na cidade portuária de Komiza, na ilha de Vis. Se você estiver viajando sozinho ou em poucas pessoas, a dica é fazer novos amigos no hostel e convencê-los a fazer o passeio, assim você racha o valor total em mais pessoas.
Em outro dia, vale tirar uma manhã para ir de carro até
Stari Grad, uma cidade portuária histórica fundada pelos gregos no século 4
a.C., e uma tarde para ir até Zavala, uma praia minúscula, mas muito bonita e
vazia, perfeita para um fim de tarde sem nenhum compromisso – no caminho há um
túnel bem pitoresco de mão única, e sem luz, que vale a viagem!
SPLIT (incluindo
MAKARSKA e TROGIR): 3 dias
Como chegar?
Saímos de carro de Hvar, embarcamos em um car ferry (www.jadrolinija.hr)
em Stari Grad e chegamos em Split. O trecho de car ferry dura 2 horas.
Onde se hospedar?
Ficamos em um hostel moderninho e bem prático (Tchaikovsky
Hostel), em ótima localização.
O que fazer?
Split é a segunda maior cidade da Croácia, bem diferente
de Dubrovnik e Hvar, então nela voltamos a ter um gostinho de Europa, o que
inclui compras e baladas. A área mais turística da cidade são as ruas para
pedestres Marmontova e Riva, sendo que esta última leva à principal atração
turística da cidade: o palácio do imperador Diocleciano, um dos maiores e mais
preservados do mundo romano. Diferente dos sítios arqueológicos intocáveis e
inabitáveis, esse mistura construções de diferentes séculos e atualmente abriga
moradores e comerciantes no que eu arriscaria chamar de cortiço histórico, rs –
pra tentar visualizar essa bagunça, bem como toda a cidade, a dica é subir na
torre da Catedral de São Dônio (entrada paga), que originalmente foi o mausoléu
do imperador.
Vale tirar um dia para percorrer de carro a costa Makarska,
com parada para banhos de sol nas praias Brela e Makarska. É só seguir as
placas.
Em outro dia, vale tirar uma tarde para passear na
charmosa e acolhedora Trogir, cujo centro histórico fortificado à lá Dubrovnik
ocupa toda uma ilhota ligada ao continente por uma pequena ponte. Tornou-se
Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO e é onde compramos os melhores
gifts da viagem.
ZADAR (incluindo
SIBENIK e PAG): 3 dias
Fotos em: (breve)
Como chegar?
Saímos de carro de Split, passamos a manhã e começo de
tarde em Sibenik e chegamos no fim da tarde em Zadar. Esse trecho, tirando a
parada em Sibenik, deve durar 3 horas.
Onde se hospedar?
Ficamos em um hotel ok (Hostel Elena), em ótima
localização.
O que fazer?
Zadar mantém os ares da era romana, com suas ruas retas e
a presença de fragmentos do Fórum no centro histórico, mas achamos que ela tem
a pretensão de ser mais “moderninha” que as outras cidades históricas croatas –
e adoramos isso!
No cais, de onde é possível ver o por-do-sol mais bonito
do mundo, segundo Alfred Hitchcock, vale tirar um tempo no fim da tarde para
sentar e escutar o Órgão Marítimo, uma instalação arquitetônica com um sistema
de tubos que produzem acordes musicais de acordo com o movimento das ondas.
Quando anoitece, a atração fica logo ao lado: várias pessoas se reúnem para
andar sobre um grande painel de luzes coloridas.
Antes de chegar em Zadar, vale passar passar a manhã e almoçar
em Sibenik, mais uma bela cidade fortificada, que abriga a Catedral de São
Jaime, obra renascentista concluída na época em que o Brasil estava sendo
descoberto e que demorou muitos anos pra ser restaurada após os bombardeios de
1991 – note que o domo principal e as demais estruturas da catedral são feitas
com pedras locais trabalhadas para serem encaixadas umas nas outras sem o uso
de argamassa.
Em outro dia, vale separar alguma comida, protetor solar,
óculos de sol e ir pra Pag, uma ilha árida cuja vegetação foi devastada pelas
cabras, que há séculos são rebanhadas no local. Voltado para o continente e
exposto ao vento bora, o litoral rochoso e em tom branco dá o tom lunar à
paisagem de Pag. No caminho, dá pra notar os típicos muros de pedra que foram
construídos para proteger a terra do vento e separar os rebanhos de diferentes
criadores.
A dica é almoçar na cidade de Pag, pegar um mapa no
centro de informações turísticas e depois se perder nas estradas e praias que
existem na ilha. Nós fomos parar em Zrce (na alta temporada, as baladas de
praia devem fazer esse balneário bombar, mas em maio conseguimos tomar um belo
banho de sol na mais absoluta tranquilidade e com vista para duas coisas: mar
azul e montanhas brancas) e, depois, seguimos adiante para o lugar o qual eu mentalizo
quando tenho vontade de fugir de tudo e de todos – não sei dizer o nome, mas
sei apontar no mapa (abaixo; pegue a estrada pra Metajna, pare o carro quando a
estrada acabar e siga à pé pela trilha que aparece na foto). Acho que a viagem
toda valeu pra gente chegar nesse lugar, sentar na beira do mar parado, jogar
as pedrinhas do chão pro alto e escutá-las cair na água. Volte a trilha e, ainda em Metajna, assista o por do sol colorir as montanhas brancas antes de voltar pra Zadar.
PARQUE NACIONAL
DOS LAGOS PLITVICE (incluindo ZAGREB): 1 dia, sendo que o ideal seria
reservar mais 1 dia cheio para conhecer melhor Zagreb.
Fotos em: (breve)
Como chegar?
Saímos de Zadar logo cedo e pegamos a estrada bem
sinalizada até o Parque. Depois de visitá-lo com calma, seguimos viagem e
chegamos no fim da tarde em Zagreb, capital da Croácia e nosso último destino
nesse país.
Onde se hospedar?
Existem hotéis dentro do Parque, mas é perfeitamente
possível conhecê-lo do fim da manhã até o meio da tarde e depois seguir viagem
pra Zagreb. A capital é grande e infelizmente não tivemos tempo de conhecê-la
melhor, então posso dizer que ficamos num hostel moderninho (Chillout Hostel
Zagreb), mas não sei avaliar a localização – existem bondes e nos pareceu ser
fácil se locomover pela cidade.
O que fazer?
O Parque é conhecido pelas cachoeiras, mas acho que o que
salta aos olhos dos brasileiros, além da organização do negócio todo, são os
infinitos tons de verdes presentes nos 16 lagos transparentes e na mata, por
meio da qual se caminha em passarelas de madeira muito bem sinalizadas e
integradas à natureza.
Na entrada do parque é onde se escolhe o trajeto – nós
percorremos o “C”, que possui duração estimada de 4 a 6 horas e é um dos mais
completos, incluindo um trajeto de barco elétrico pelo maior lago. Não é
cansativo, mas a dica é não ficar parando toda hora (especialmente no começo do
trajeto, quando dá vontade de fotografar qualquer poça d’água) e levar capa de
chuva, água e coisas pra comer enquanto se caminha.
O que mais?
- Em Hvar, poderíamos ter feito uma day trip para a famosa praia de Bol,
na ilha vizinha de Brac - ficará pra nossa segunda visita.
- No caminho entre Split e Zadar, poderíamos ter parado em Salona, cidade
famosa pelas ruínas romanas, que foi a capital da província da Dalmácia e uma
das regiões mais ricas e populosas do Adriático no século 1º d.C.
- Em Zadar, tiramos uma tarde pra ir pra Biograd na Moru,
um balneário bem turístico, mas acho que esse sim deve ser interessante só na
alta temporada.
- Em Pag, poderíamos ter visitado Novalja, a segunda
principal cidade da ilha (a primeira é a cidade de Pag), que possui praias
planas.
- Após a estadia em Zadar, poderíamos ter seguido até Pula, cidade
famosa pelo seu bem conservado anfiteatro romano, um dos seis maiores ainda
existentes no mundo.
- Em Zagreb, fizemos apenas uma visita panorâmica na
cidade depois de chegar do Plitvice, mas seria interessante ter reservado um dia cheio para conhecer a
cidade.
Dúvidas?
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Boa viagem!







