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Postagens

Meteoros

Estamos sujeitos aos meteoros. Sujeitos aos cientistas, terroristas, gays e tarados de todo tipo. Sujeitos às vigas de sustentação, aos cabos de elevador. Milhares desses cabos. Milhares de aviões sobre as nossas cabeças. Infinitas ondas eletromagnéticas, telas touch, sex tapes. Estamos nus e sem controle. Largados em salas de embarque, esperando desolados a última chamada, o primeiro divórcio, o câncer. Sujeitos ao fim e cercados pelo medo. De um lado, os outros. De outro, nós mesmos.

Breaking News

Falamos ao vivo aqui de onde só há amor e, puxa, é impossível descrever as cores. Há um calor de mãe, uma leveza imensa. Aqui do meu lado está o Sr. Olair -  Olair, o Sr. ... (o abraça firme) Desculpe, é tão sincero. Eu amo. Amo e basta. O amor é incrível. O amor, ao vivo!

Férias

Amanhã eu tenho que voltar ao trabalho  como se nada tivesse acontecido. Ela acabou, sem se importar comigo. Agora vai sumir por uns dias,  mas  logo estará por aí  se exibindo com outra pessoa. cocriação com Dani Diesel.

Descompasso

A gente sempre cansa dessa mesma dança. E quer o novo passo de quem passa e nos balança.

Velório

Tão forte tempestade tristeza navega o corpo em melancolia correnteza. Deságua em outros braços ampara-te em mil abraços desabafa os choros de hoje e os choros não chorados. Tão acolhedora serena tristeza é quase leveza. Aproveite a fraqueza, entrega-te e revigora-te, a onda logo passa deixa levar-te.

À deriva

Três, dois, um lançou-se com toda a força De um lado, a Terra do outro, descobriu um infinito I see everything, yet it seems I see less than ever. Agora em órbita sem gravidade, Ground control? sem controle, sem plano, mesmo em alta velocidade, sente que está parado.

O que lhe quebra

O quanto demora nesse pouco tempo O quanto aguenta se é pedra ou vento O que puxa na ponta se é tédio ou dinheiro E o que pesa no meio o conforto, o medo Em toda essa envergadura há algo que dobra e que quebra o seu jeito.

Roteiro de carro na Croácia

Roteiro de carro na Croácia (13 dias) Foi a segunda viagem pra Europa. Visitamos Praga, Viena, Budapeste e depois passamos 13 dias na Croácia e 3 dias na Eslovênia. Dividimos a viagem em dois climas: o primeiro (Praga, Viena e Budapeste) foi mais urbano e programado: guia e mapa na mão, check list de pontos turísticos, compras e balada, acordar cedo e dormir tarde; e o segundo (Croácia e Eslovênia) foi mais intuitivo: alugamos um carro, descobrimos a programação local conforme chegávamos nas cidades e reservamos alguns dias pra dormir até tarde sem culpa. Acho que a Croácia e o tempo em que ficamos lá foram ótimos pra esse segundo clima, especialmente porque fomos na época certa (19-31 de maio de 2012): o tempo já estava morno, mas ainda não era alta temporada (começa em junho), quando as estradas ficam congestionadas de jovens europeus em busca de uma Ibiza mais barata. Croácia (não na alta temporada) pra quê? 1. Pra descobrir uma região tão antiga, mas tão ...

Vai sobrar tempo

Isso na sua boca, incomoda? Não. E isso aqui? Cresce? Cresce. Devagar, mas cresce. E daí? Daí tem que cortar. Incomoda? Não, nem sente. Como chama? Unha. Unha... Isso. E esse dentro da boca é dente. Dente? Mas dente não é aquilo que... Aquilo é pente. O som é parecido. O pente cresce? Não. Pente não é gente, é outra coisa. Que tipo de coisa? O pente não tem corpo nem sangue. Não tem vida. A gente nasce, cresce e morre - isso é vida. E como é que morre? Uma hora o corpo e tudo o que tem dentro dele para de funcionar. Cada corpo dura um tempo, o tempo é que mata. Quanto tempo o seu ainda vai durar? Uns 30 anos, eu espero. E depois que morre, o que acontece com o corpo? O corpo é enterrado. E na terra ele se desmancha em pedaços menores, que se espalham e se misturam com outras coisas menores, formando novas coisas, como as plantas. Daí as outras pessoas, que ainda não morreram, colocam essas plantas na boca, desmancham em partes menores....

Precisamos de mais apagões.

Esse depoimento cresce a medida que se permite enxergar além. Além do que vemos, do que sentimos. Mas nada além do que já está na nossa frente. Precisamos de mais apagões. http://vimeo.com/52933219

Trovão em nuvens pretas

Quando tudo está calmo e assopra o vento. Quando o silêncio faz barulho, som de porta e folha seca. Cercados de nuvens pretas. Se até então não era nada, agora é hora de fechar o tempo.

Salas vazias

Gata solitária fala com BEBADO DA BALADAA!! [24/04 04h43]:     oi, tudo bem?   

Passou a meia-noite

Não consegui parar o tempo, ele passou. Acontece, meu bem. Fadiga, pontada, ruga, azia. Lembrança, saudade, mania. Por dentro, apodrece. Por fora aparece, é vida. Envelhece porque cresce. Um pouco, todo dia.

A luz da tarde

*Jardim Botânico, Curitiba - PR. NikonD80, 70-200mm.

A primeira luz

Reuniram-se logo na primeira noite promissora do outono e tomaram vinho até o amanhecer. Passado o breve intenso azul, brindaram a tudo, porque tudo refletia o dourado do Sol. A primeira luz depois de uma noite de chuva e frio é especial, já dizia o professor de fotografia. Abafa os ecos, preenche as sombras, aquece os sonhos.

Experimento futuro além da compreensão humana

Acordou confuso. O que via em sua frente parecia uma pia com torneiras. Abriu. Saíram números, como se fossem opções. E ficou espantado porque percebeu que, de repente, estava no futuro. Mas logo apagou e acordou novamente, e acordou mesmo, dessa vez na poltrona de casa. O velho olhou trêmulo ao redor, em êxtase. Seu gato escutaria tudo sem contestar, mas como convencer a maldita enfermeira doméstica de tal aventura única no futuro?

Janela

Instante distante

Eu quero voltar muito tempo depois, quando tudo estiver diferente. Reconhecer os detalhes que não mudam, ficam secretos. Quem sabe eu tire uma foto daquela rua. E sozinho possa sentir aquilo que foi tão perto, longe e cheio de gente.